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30 novembro 2010

All Bufeira

Quem olha de dia, vê uma favela com saneamento básico e água canalizada.
Um sítio absolutamente horripilante.
Porém, uma furtiva visita nocturna ao centro da terra deixou-me maravilhado.
Nunca na vida havia presenciado coisa semelhante.
O local é constituído por uma amálgama de bares e casas de comes e bebes, sobretudo bebes.
De cada um deles sai música, completamente fedorenta e mais alta do que a da porta ao lado.
Os autóctones - presuntivamente de raiz celta ou saxónica -, em estado de embriaguez colectiva, ululam no meio da rua, desafiando-se mutuamente no objectivo de alcançar o coma.
As senhoras, altivas e sobranceiras nas suas reduzidas vestes de noite, bamboleiam o rabo e pequenas malinhas de mão do alto de sapatos capazes de fazer vertigens a um montanheiro experimentado.
Há bebidas que são servidas em copos gigantescos, com líquidos de múltiplas cores, imensas palhinhas e que deitam luz.
Os neons imperam, todo o espectro de cor está presente.
No ar, um vago cheiro a maresia, urina e vomitado.
Não fiquei mais de 30 minutos, pois a minha mulher recusou-se terminantemente a por lá permanecer mais tempo.
Disse que não via qual podia ser a piada de tamanha degradação, que eu era doido por insistir em ficar e que não estava para aturar malucos.
Onde já se viu?
Prometi a mim próprio voltar ao Algarve com brevidade só para montar um video sobre Albufeira, ao melhor estilo do National Geographic.
Fica, entretanto, uma fotografia deste magnífico exemplar da fauna local.
Do melhor.

28 outubro 2010

Bicheza mourisca


Há muito gato no Algarve.
Este, arisco como um raio, estava em Alcoutim.
Em Santa Luzia, Tavira, encontrei uma ninhada de uns cinco ou seis, com dois a três meses.
Brincavam todos, na borda da ria, junto aos armazéns das artes de pesca ao polvo.
Destacava-se um, cinzento, o dobro dos irmãos, com umas manchas mais escuras, parecia um leopardo.
Parei o carro e fui brincar com o gajo.
Além de bonito, era destemido e muito meigo.
Nem ao colo espetava as unhas.
Queria trazer o bicho para o Porto.
A minha mulher não deixou.
Disse que alguém tem de ter juízo cá em casa.
É bem capaz de ter razão.

22 outubro 2010

Luz -IV


Como se vê da imagem, a luz fez muita falta no passeio pela Serra de Monchique.
Choveu desalmadamente.
Ainda assim, foi um dia magnífico.
Aqueles montes são verdadeiramente deslumbrantes.
Depois de uma paragem em Silves, para visitar o castelo, a estrada serpenteia até Caldas de Monchique, um lugar que parou no tempo.
Respira-se calma e um cheiro forte a urze e eucalipto.
Subindo a serra, com derivação por um caminho municipal muito sinuoso, rapidamente caiu um nevoeiro fechado, que, na estrada para a Fóia, reduziu a visibilidade para não mais de 10 metros.
Houve que descer e seguir em direcção a Aljezur, mas nem por aí o tempo deu tréguas.
Os montes estão cobertos de carvalhos e castanheiros, mas como não podia deixar de ser, também lá impera o malfadado eucalipto.
É uma tragédia, esta opção pela sivicultura de rendimento rápido.
Tenho de voltar e ficar uns dias em Caldas de Monchique.
E em Albufeira.
Mas isso já é história para outro post.

21 outubro 2010

Luz -III


Ir ao Algarve e não almoçar no Gigi é como ir a Roma e não ver o Papa.
Vai daí, fui.
É verdade que a comida é irrepreensível e o serviço simpático e eficaz, mas de longe justificam o preço absolutamente proibitivo que é esportulado por uma refeição modesta, regada a cerveja e servida num barraco de praia, com muito deficientes condições, nomeadamente ao nível das instalações sanitárias, pessimamente cuidadas e muito sujas.
Mas é a Quinta do Lago e o preço de assentar o cu em banco que já sustentou as sublimes nádegas de estrelas.
E o resto?
Será questionável o gosto arquitectónico dominante, será de mau tom a excessiva ostentação de tanta riqueza, mas não consigo deixar de gostar de passear naquelas ruas lindamente adornadas (verdadeiros jardins), de olhar com inveja para aquelas opulentas casas, de admirar embevecido a sucessão de carros desportivos que desfilam a rugir baixinho e de apreciar espantado o "glamour" das pessoas, a maior parte já confortavelmente entrada na idade, mas todas elegantes e bem postas.
Eu sei que é do meu provincianismo bacoco, mas aprecio muito aquele cheiro a dinheiro e bem estar.
Não me importava nada de acabar os meus dias a viver por ali, arrastando-me, mais à minha mulher, ao longo do "green" para ir bebericar um gin tónico ao clube, antes de ir jantar de Aston Martin a um dos restaurantes da moda.
Porém, duvido que tal venha a suceder.
É pena.
Ainda assim, um belo sítio.

20 outubro 2010

Luz -II


Luz de fim de tarde, em São Rafael, Albufeira.
É difícil fazer uma fotografia a 24mm sem apanhar o betão.
Está em todo o lado, cobre todas as ladeiras, encima todos os morros (ou cerros, como se diz por lá), desce as arribas até ao mar, engoliu tudo.
O betão deitou a perder uma terra fantástica, de enorme beleza.
É horrível.
Não se diga que são erros do passado.
Basta olhar para o edificado na novíssima Marina de Albufeira (um escarro) e o que está a ser feito nas suas encostas sobranceiras (um atentado) para imediatamente perder qualquer esperança na salvação do pouco que resta daquela linha de costa.
Para lá das zonas protegidas será tudo irremediavelmente destruído pela voragem da construção desenfreada.
E mesmo estas...

19 outubro 2010

Luz -I


Tavira.
Cidade belíssima, se bem que muito degragada, com um certo ar de abandono, quer ao nível do património edificado, quer das infra-estruturas.
Felizmente, foi poupada à desenfreada expansão do cimento turístico que marca a linha de costa de Lagos a Faro.

18 outubro 2010

Luz e sombra - IV


Ainda o lugar de Cacela Velha.
Creio que será a última desta série.
A seguir, Luz.

17 outubro 2010

16 outubro 2010

Luz e sombra - II


A peregrinação pelos sítios do Sotavento levou-me a Cacela Velha.
Lugar de grande beleza, com uma extraordinária vista sobre a Ria.
Novamente o recorte da sombra contra a luz forte.

Luz e sombra - I


Não ia ao Algarve faz mais de uma dezena de anos.
Forçado a férias tardias e embalado pela promessa de sol e temperatura amena, lá fui passar uma semana ao reino do ocidente.
Fiz algumas imagens com contraste de luz e sombra das quais gosto muito.
Esta é uma delas, de Alcoutim, no magnífico interior algarvio.